Na tarde de Domingo, dia 6 de Dezembro de 2009, sob a presidência de D. Gilberto, Bispo de Setúbal, realizou-se no auditório da Anunciada, em Setúbal um Encontro Diocesano de todos os Movimentos e Obras do Apostolado dos Leigos da nossa Diocese. 14 movimentos deram-se a conhecer mutuamente e testemunharam como vivem o sacerdócio comum dos fiéis nas várias actividades apostólicas, assim como entendem o sacerdócio ministerial. Publicamos a seguir as respectivas Exposições.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

APRESENTAÇÃO DO RENOVAMENTO CARISMÁTICO CATÓLICO




É com muita alegria que o Renovamento Carismático Católico se reúne aqui, hoje, com os demais Movimentos e Obras da nossa Diocese, para, em conjunto, e com o nosso Bispo, celebrarmos o dom do Sacerdócio que vivemos em cada dia das nossas vidas. Fazemo-lo bem conscientes da importância que para isso teve, e tem, o movimento ou obra em que nos integramos.

Porém, antes de avançarmos, e para aqueles que ainda não sabem o que é o Renovamento Carismático, gostaríamos de, muito brevemente, lhes dar a conhecer como é que o mesmo surgiu na Igreja Católica, logo após o encerramento do Concílio do Vaticano II, de algum modo como resposta ao apelo do Papa João XXXIII que, no início do mesmo Concílio, pedia um Novo Pentecostes para a nossa Igreja.

Foi a partir de um Retiro para estudantes universitários, na Universidade de Duquesne, em Pittsburgh (Pennsylvania), Estados Unidos da América, realizado em Fevereiro de 1967, onde estudantes e professores que nele participaram tiveram uma poderosa e transformadora experiência de Deus, que passou a ser conhecida como de “Baptismo no Espírito”.

Foi esta experiência carismática que extrapolou a universidade e atingiu paróquias, comunidades e outras instituições católicas, espalhando-se, rapidamente, por todo o mundo, e acabando por chamar a atenção da Igreja Católica, sendo sucessivamente aceite pelos seus Papas.

O Papa João Paulo II, em discurso proferido 02/03/1992, afirmou mesmo que “o aparecimento do Renovamento Carismático, após o Concílio do Vaticano II, foi uma dádiva especial do Espírito Santo para a Igreja”.

De facto, o Renovamento Carismático Católico não tem um fundador humano, ou um grupo de fundadores, como os demais movimentos. O seu fundador é o Espírito Santo.

Neste “Movimento” se integra uma grande diversidade de indivíduos, grupos e comunidades, frequentemente independentes uns dos outros, embora compartilhando em comum de uma mesma e fundamental experiência: o “Baptismo no Espírito”, ou “Efusão do Espírito Santo”.

Esta nova, poderosa e transformadora efusão do Espírito Santo acontece, normalmente, para muitas pessoas, durante a realização de um seminário cuidadosamente preparado, a que chamamos “Seminário de Vida no Espírito”, e pressupõe toda uma caminhada feita, com assiduidade, nas reuniões semanais de um Grupo de Oração do RCC.

O Renovamento Carismático Católico tem por base os grupos de oração, estando presente, através deles, em 238 países, e já tocou as vidas de aproximadamente 100 milhões de católicos.

Em Portugal, está presente em todas as Dioceses, através de numerosos Grupos de Oração, com a coordenação de uma Equipa de Serviço Nacional.

Na nossa Diocese, existem, actualmente, 33 Grupos de Oração, com reuniões semanais em outras tantas paróquias. E, para servir na coordenação, a nível diocesano, das suas várias actividades, dispõe o Renovamento Carismático de uma Equipa de Serviço, reconhecida pelo Senhor Bispo, e de um assistente espiritual, sacerdote nomeado também pelo Senhor Bispo.

O objectivo dos Grupos de Oração do RCC consiste em levar as pessoas que neles participam a terem uma vida espiritual mais profunda, não só individualmente, mas também em comunidade, demonstrando a realidade que, em consequência de uma participação assídua aos Grupos de Oração, nos vamos deixando de fechar em nós próprios, e passamos a viver num contínuo intercâmbio com os outros, com profundo sentido de fraternidade, o que propicia, em cada reunião, um ambiente que nos permite passar pela experiência de um acontecimento de verdadeiro Pentecostes.

Com fé na promessa de Jesus: “Onde quer que duas pessoas se reunam em meu nome, estarei no meio delas” (Mt. 18, 20) –, a oração carismática, desenvolvendo-se sob as várias formas que lhe são características, oferece-nos a possibilidade de um encontro pessoal com Jesus, ali presente. ELE está ali, e é o Senhor, o Emanuel, o Deus connosco



SÍNTESE DA REFLECÇÃO DOS GRUPOS DO RCC SOBRE O ANO SACERDOTAL

II

Relativamente às reflexões que foram efectuadas em vários grupos do Renovamento Carismático, sobre a temática deste Encontro, poderemos sintetizar que:

a)
Em todas elas ficou bem patente o quanto a caminhada que fazemos nos nossos grupos de oração foi importante para a nossa actual tomada de consciência na participação activa no Sacerdócio de Cristo.

Na verdade, percebemos, hoje, melhor, como Jesus Cristo, Nosso Senhor, fez de nós um novo povo: “um reino de sacerdotes para Deus Seu Pai”. Alcançámos uma consciência mais clara de que, pelo baptismo, não só fomos, como somos consagrados para oferecer sacrifícios a Deus e proclamar as Suas grandezas: louvando-O, oferecendo-nos como hóstia santa, e testemunhando Jesus Cristo, como nosso Senhor e único Salvador!

Do mesmo modo, sabemos que o sacerdócio comum, ou baptismal, de que estamos revestidos, se distingue essencialmente do sacerdócio ministerial, recebido pelo Sacramento da Ordem, e que ambos estes sacerdócios se completam mutuamente, pois todos participamos do mesmo e único Sacerdócio de Cristo.

Assim como Jesus Cristo é Sacerdote, Profeta e Rei, também nós, baptizados, somos participantes desta tríplice missão do Senhor: celebramos os sacramentos, louvamos o Senhor, anunciamos e proclamamos o Evangelho, e estamos ao serviço dos irmãos

b)
Com efeito, a vocação fundamental dos baptizados é serem portadores da revelação de Deus para o mundo, tendo como sua missão fundamental ler os acontecimentos da História – sinais dos tempos – à luz do plano da salvação de Deus para a humanidade.

Assim sendo, e sempre com a consciência de que não detemos o monopólio da Salvação, pois esta é dom de Deus oferecido a todos os homens, devemos, como filhos de Deus pelo nosso baptismo, assumirmo-nos como irmãos de todos os homens e anunciar a todos a Salvação de Deus e Seu o perdão total, realizados em Cristo.

Como S. Pedro, naquela manhã de Pentecostes (cfr. Actos, 2), também nós temos de falar, hoje, sem rodeios, a todos os homens, nossos irmãos, que Jesus Cristo, nosso Senhor, Ressuscitou, e que, tendo recebido do Pai o Espírito Santo prometido, O derramou sobre nós, sendo necessário que nos convertamos, pois a Salvação já veio a nós; e receberemos, então, o dom do Espírito Santo.

Estaremos, assim, a ser fermento na massa, ou seja, a concorrer para a santificação deste mundo, tão conturbado.

c)
O que é que esperamos dos nossos sacerdotes? Esperamos a sua ajuda espiritual de que todos tanto necessitamos. E o que desejamos, primeiro, para eles é que sejam verdadeiramente apaixonados por Jesus Cristo, a quem representam, e que o demonstrem sem reservas. Depois, desejamos que a sua transformação em Cristo seja notória, para que todo o povo de Deus, quer na celebração dos Sacramentos, quer na realização de qualquer actividade apostólica, neles possa encontrar o próprio Jesus Cristo, percebendo que exercem o próprio Sacerdócio de Cristo e que não são meros prestadores de serviços.

Todos nós, os que integramos o Renovamento Carismático Católico da nossa Diocese, admiramos, e agradecemos muito ao Senhor, o Sacerdote que é nosso Conselheiro e Assistente Espiritual. Vemos como se deixou conquistar por Jesus e quanto Lhe abre o seu coração com confiança. Por isso, desejamos que, na sua vida sacerdotal, sempre possa experimentar e celebrar, com alegria, a seguinte meditação do Santo Cura d`Ars:

«A nossa única felicidade nesta terra consiste em amar a Deus e saber que Ele nos ama»


III

EM CONCLUSÃO

Como ensina o Santo Padre Bento XVI, “é na diversidade essencial entre o sacerdócio ministerial e o sacerdócio comum que se entende a identidade específica dos fiéis ordenados e leigos. Por essa razão, é necessário evitar a secularização dos sacerdotes e a clericalização dos leigos”... “Na realidade, quanto mais os fiéis se tornam conscientes das suas responsabilidades na Igreja, tanto mais sobressaem a identidade específica e o papel insubstituível do sacerdote como pastor do conjunto da comunidade, como testemunha da autenticidade da fé e dispensador, em nome de Cristo-Cabeça, dos mistérios da Salvação”.

Assim sendo, desejamos que, no nosso relacionamento de leigos, quer com o Pároco, como primeiro assistente de cada grupo de oração, quer com o nosso assistente espiritual diocesano, seja esta a realidade que se verifica e que sobressaia, plenamente, no Renovamento Carismático Católico da nossa Diocese.

Rezamos por isso, e também por isso tem sido, e vai continuar a ser, celebrado e vivido, no Renovamento Carismático, com muita alegria e entusiasmo, este Ano Sacerdotal.

Já este ano, na semana de 7 a 13 de Outubro, participámos, em força, num Cerco de Jericó, em que se envolveram irmãos de todos os grupos do RCC, os quais, por sua vez, envolveram outros irmãos da sua comunidade paroquial. Foram 7 dias e 7 noites de adoração contínua ao Santíssimo Sacramento, com recitação do Rosário, em que pedimos pela santificação dos sacerdotes da Diocese de Setúbal.

Também durante este Ano Sacerdotal, no último domingo de cada mês, vão em peregrinação, ao Santuário de Cristo Rei, quatro dos nossos Grupos de Oração, a fim de aí, em Adoração e Missão, se unirem ao Coração de Jesus, intercederem pelos nossos sacerdotes, e evangelizarem, com a alegria e a esperança que brotam do facto de estarmos com o Senhor ressuscitado, Único Sacerdote.

Pensamos que é caminhando assim, como povo sacerdotal, povo eleito, povo santo, que melhor poderemos celebrar e viver, com alegria, o dom do nosso sacerdócio.

Sem comentários:

Enviar um comentário

Seguidores