Origem do CPM
Em 1952, em França, um grupo de casais, que constituía uma Equipa de Nossa Senhora, orientado pelo padre jesuíta Alphonse d’Heilly, debruça-se sobre as carências espirituais e humanas dos jovens noivos e tenta dar-lhes resposta através de um meio acessível, cristão e pedagogicamente adequado.
Quatro anos mais tarde, depois de definida a temática e a pedagogia adequadas, estes casais fundam o CPM, que significa Centro de Preparação para o Matrimónio.
Em Portugal, o CPM inicia-se em Março de 1960, no Porto e Lisboa, comemorando, no próximo ano, 50 anos de actividade.
Objectivo e missão do CPM
O CPM destina-se a ajudar os noivos a preparar o seu Matrimónio, a compreender e a viver esse sacramento:
mostrando-lhes um amor autêntico e gratificante dentro do Matrimónio
fazendo-lhes tomar consciência sobre o dom do sacramento e ajudando-os a assumir os compromissos inerentes
levando-os à descoberta do ser cristão adulto e a tomar opções correctas na vida conjugal e familiar.
Em resumo, o CPM considera ser sua missão a formação humana dos noivos alicerçada nos valores do Evangelho.
Metodologia do CPM
A metodologia do CPM assenta em três pilares fundamentais:
1. Revisão de vida dos casais
2. Diálogo dos noivos entre si e em grupo
3. Testemunho vivencial dos casais.
Uma equipa de casais começa por se reunir periodicamente, sob a orientação de um casal formador, para partilhar a reflexão que cada casal fez sobre cada um dos seis temas propostos:
─ Uma comunidade de amor
─ Matrimónio – Sacramento
─ Diálogo e gestos de amor
─ A fecundidade do casal
─ Nova situação – novas exigências
─ O amor ao longo da vida
Mais tarde, nos encontros com noivos, são propostas pistas de diálogo sobre estes mesmos temas para que os noivos reflictam, troquem impressões entre si e as partilhem em grupo, acompanhados por um casal animador da equipa CPM. No final, os grupos reúnem-se para uma partilha no plenário.
Também os casais animadores devem dar um testemunho vivencial – sem cair na tentação de dar conselhos ou lições – ilustrando, com exemplos retirados da sua vida a dois, como ultrapassaram os desafios que a situação de casados lhes proporcionou e de que forma a vivência do sacramento do Matrimónio em Jesus Cristo deu sentido à sua vida conjugal e à família por eles gerada.
Matrimónio e Sacerdócio
O Matrimónio e a Ordem são chamados sacramentos ao serviço da comunhão.
Toda a graça sacramental capacita quem a recebe para o serviço, pois o serviço dos outros e do bem comum é a essência do Mistério Pascal de Jesus, raiz de todos os sacramentos. Porém, tanto o Matrimónio como a Ordem estão orientados para um ministério específico na Igreja: o da experiência esponsal e da maternidade e paternidade, no caso do Matrimónio, e o do ministério ordenado, no caso do sacramento da Ordem. Quem os recebe celebra uma mudança de estado no interior da comunidade eclesial, passando a assumir como tarefa própria, no seu seguimento de Cristo, o cuidado social e espiritual de outros que lhe são confiados. No caso dos esposos, o cônjuge e os filhos. No caso dos ministros ordenados, a comunidade cristã concreta que são chamados a servir. É uma tarefa que os insere no zelo e desenvolvimento da qualidade das relações interpessoais que se estabelecem com o Senhor e uns com os outros. Daí o seu carácter de serviço à comunhão com Deus: de quem os esposos são sinal, um para o outro e para os filhos; de quem o ministro é sinal para a comunidade dos irmãos.
Esta comparação entre os dois sacramentos ao serviço da comunhão põe em relevo a relação que existe entre o sacerdócio ministerial – recebido pelo sacramento da Ordem – e o sacerdócio comum dos fiéis – que tem uma fonte privilegiada no sacramento do Baptismo e do Matrimónio.
O Sacerdócio comum dos fiéis no CPM
Os membros de um casal cristão, para além de serem sinal de Jesus Cristo um para o outro e de ambos para os filhos, constituindo com estes a Igreja doméstica, devem também ser sinal para os outros casais, cumprindo assim a sua missão de evangelizar.
O CPM procura alcançar este objectivo, convidando os casais animadores, com o seu testemunho, a serem fermento junto dos noivos.
Missão do Assistente de uma equipa CPM
O Assistente é um sacerdote que, em nome da Igreja, acompanha a equipa CPM, desde a sua preparação até aos encontros com os noivos.
A acção do Assistente desenvolve-se, principalmente, em três momentos:
nas reuniões preparatórias da equipa
na preparação dos testemunhos
nas sessões com os noivos.
O que os casais CPM esperam do seu Assistente na fase de revisão de vida é:
que ajude os casais na descoberta e aprofundamento da dimensão espiritual do Matrimónio
que proporcione aos casais uma formação doutrinal na fidelidade ao Magistério da Igreja
que ajude os casais a descobrir e assumir as suas responsabilidades evangelizadoras.
O que os casais CPM esperam do seu Assistente na preparação dos testemunhos é que os ajude a descobrir a presença de Cristo nos pedaços de vida escolhidos para serem apresentados aos noivos de forma vivencial.
Finalmente, o que os casais CPM esperam do seu Assistente nas sessões com os noivos é:
que seja afável no acolhimento aos noivos
que intervenha com brevidade e clareza no plenário
que esteja atento a eventuais casos particulares de alguns noivos para com eles dialogar em particular
que ponha em evidência os aspectos espirituais por vezes escondidos na realidade da vida quotidiana
que dê o seu próprio testemunho, no contexto de cada tema abordado
que presida às celebrações que se venham a realizar com a participação dos noivos.
Fontes:
Manual CPM
Texto sobre Matrimónio e Ordem retirado do curso de Síntese Catequética Avançada, da Faculdade de Teologia da Universidade Católica.
Na tarde de Domingo, dia 6 de Dezembro de 2009, sob a presidência de D. Gilberto, Bispo de Setúbal, realizou-se no auditório da Anunciada, em Setúbal um Encontro Diocesano de todos os Movimentos e Obras do Apostolado dos Leigos da nossa Diocese. 14 movimentos deram-se a conhecer mutuamente e testemunharam como vivem o sacerdócio comum dos fiéis nas várias actividades apostólicas, assim como entendem o sacerdócio ministerial. Publicamos a seguir as respectivas Exposições.
terça-feira, 8 de dezembro de 2009
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